O Tinder ainda vale a pena?

Amor e sexo sem tabus

O Tinder ainda vale a pena?

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Manuela* encontrou um homem de outro estado no Tinder e poucos meses depois se casaram. Júlia, durante um ano, saiu e entrou do aplicativo várias vezes, se encontrou com uns caras até que da última vez encontrou seu namorado atual. Giovana usa vários aplicativos e sempre sai pra curtir com os crushes com quem dá match e nunca teve problemas.

Embora histórias como essas aconteçam em aplicativos de paquera (como o Happn, Dating, OkCupid etc.) nem sempre as experiências são positivas.

O que aconteceu com Márcia foi um desastre. Para ela, durante o tempo que usou o aplicativo parecia que os homens buscam um “sexo vingativo”, pois haviam terminado recentemente um relacionamento e que só queriam um fast-foda sem graça.

“Minha experiência não foi boa, contudo, consegui observar o perfil dos usuários masculinos: pessoas decepcionadas, que veem nestas plataformas uma forma mais fácil de fazer sexo em quantidade, para encobrir algum trauma ou frustração.”

Foto simulando o aplicativo tinder

Natália também teve a mesma impressão. “Tem muita gente perigosa e doida. Essa seara não é para mim”. Usou por pouco tempo após o término de seu casamento e estranhou as abordagens da maioria dos homens com quem deu match. “Honestamente, tem horas que me sinto completamente perdida diante do universo masculino”.

Uma história ainda mais grave aconteceu com Laura, que ainda usa o Tinder. Há uns meses, ela deu match com um cara que se apresentou como militar do exército, mas era muito insistente nas conversas. “Uma coisa que eu achei muito estranha é que toda vez que a gente saiu ele só pagava as contas em dinheiro e me pressionava para conhecer meu filho.”

Ela suspeitava que ele fosse casado, mas pesquisando o nome completo dele no Google descobriu que era um estelionatário. Por sorte, pulou do barco antes de ter algum prejuízo financeiro.

Mas afinal, o que querem as pessoas que entram nos aplicativos de paquera?

No livro Tinderellas: O amor na era digital, de Lígia Baruch de Figueiredo e Rosane Mantilla de Souza, é explicado que existem basicamente três tipos de usuários de Tinder e aplicativos similares.

A primeira categoria é a dos curiosos, cuja finalidade é apenas ver como funciona, ver os matches, mas não estão, necessariamente, a fim de usar a ferramenta para encontros amorosos ou sexuais.

Já os recreativos usam os apps para divertimento ou pegação, sem interesse em buscar relacionamentos duradouros no mundo virtual.

Homem mexendo no smartphone

Por fim, os racionais, que viram na tecnologia uma forma de encontrar seus pares românticos, permitindo que pessoas dos mais variados pudessem se conhecer e construir certa intimidade antes de um encontro real. Isso é algo que favorece inclusive pessoas tímidas e mais reclusas, adaptadas ao mundo geek.

Mas falta respeito

Se instalar um aplicativo não significa que todo mundo quer exatamente a mesma coisa que você, respeito e cuidados deveriam ser universais.

O que não faltam nos app são os “machos escrotos”, que do nada pedem o whatsapp, “foto de agora”, mandam nudes sem ninguém ter pedido e ficam ofendidinhos com o “não” das mulheres. Educação é sempre bem-vinda e, convenhamos, esse tipo de abordagem não vai funcionar muito bem com ninguém em lugar nenhum.

Carolina, que está num relacionamento duradouro e não usa mais nenhum aplicativo, afirma ter conhecido “mulheres bem legais no tinder, mas de alguma forma já faziam parte do meu convívio”. No entanto, foi tenso quando abriu para conhecer homens.

“Uma vez encontrei por acaso um homem com quem eu conversava no tinder num bar. Eu estava com meus pais e ele tentou tocar minha perna, foi nojento e depois disso ele ainda tentou contato pelo instagram.”

E é bom se prevenir

E como estamos falando de internet e algum tipo de anonimato, todo cuidado é pouco.

Algumas regras são básicas. Marcar o primeiro encontro num local público, desconfiar de perfis que querem encontros muito rápidos e, claro, dar uma rápida stalkeada no Google, Facebook e Instagram para ver se a pessoa é realmente aquilo que está se apresentando.

Com respeito, cuidado, sabendo o que quer dá para aplicar um ditado que ainda não é muito famoso: qualquer rede social pode ser usado para paquera. Mas o contrário também é muito verdadeiro. Ou seja, cada um usa as redes sociais como bem quiser.

* Todos os nomes são fictícios, mas os relatos são verdadeiros.

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