O tabu de todos os relacionamentos: a traição (parte 1)

Amor e sexo sem tabus

O tabu de todos os relacionamentos: a traição (parte 1)

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Não importa qual a sua sexualidade, sua idade, com quantas pessoas você já transou ou o tempo do seu relacionamento: a traição sempre será um dos grandes (senão o maior) receios de todo e qualquer relacionamento. Há quem diga que em pleno século XXI, com tantas facilidades em tecnologia e acesso a infinitas formas de interação com pessoas de tudo quanto é tipo, em redes sociais como Facebook, Instagram, Tinder, WhatsApp ou sites específicos, como o Sexlog, tem havido uma maior possibilidade de pulação de cerca.

Se, em parte, é verdade devido às inovações tecnológicas, a traição sempre esteve presente como um fantasma na maioria dos relacionamentos desde que a monogamia foi inventada. É certo também que durante muito tempo a traição masculina chegou a ser “socialmente aceita” desde que não fosse escancarada. Mas na realidade dos fatos, muita coisa mudou.

E sexólogos do mundo todo tem se debruçado olhares sobre isso. Tudo o que vou falar daqui em diante tem a ver com opiniões e a partir de pesquisas de duas das maiores especialistas em relações amorosas e sexuais no mundo: a belga Esther Perel, autora de Casos e Casos: repensando a infidelidade e Sexo no Cativeiro e a brasileira Regina Navarro Lins, autora de livros como A Cama na Varanda e Novas Formas de Amar.
É preciso dizer que muito do que será apresentado aqui pode chocar o senso comum, mas que no fundo, sabemos que é a realidade, não importa se você seja o traído, se você seja o traidor, ou se você seja o terceiro elemento na relação. Em um número maior do que gostaríamos de admitir, já fomos, ao menos uma vez, pelo menos um destes casos. Ou os três.

O homem trai mais que a mulher

Estatísticas no mundo todo comprovam que este é o senso comum, mas está longe de ser verdade. Na prática, o que se sabe e que as mulheres traem praticamente tanto quanto os homens. A diferença é que a traição do homem já foi justificada de várias maneiras: para que o homem pudesse exercer práticas sexuais que não seriam consideradas “apropriadas” de se fazer com a esposa ou de que o apetite sexual do homem é maior do que o da mulher. Tudo isso é balela, claro.

Já não é de hoje que se sabe que a mulher tem, independente de sua sexualidade, tanto ou mais tesão do que o homem. O que diferencia é que muitas ainda reprimem seu apetite com receio de assustar o parceiro ou porque o homem, pouco se esforça para estimular a parceira.

Isso tem feito com que muitas mulheres busquem outros parceiros para se satisfazer sexualmente, já que não conseguem isso com seus namorados e maridos. E, nas palavras de Regina Navarro Lins: sem sentimento de culpa. Ou seja, é cada vez mais comum que mulheres casadas ou namorando tenham casos extraconjugais corriqueiros simplesmente porque querem. Estima-se que em até metade das situações as mulheres tenham um “cara reserva”, no caso de o relacionamento atual degringolar. E este cara, geralmente é um colega do trabalho, um amigo de muito tempo ou ainda um ex.

Por outro lado, os homens, como sempre foi relativamente aceito, também traem por motivos semelhantes. Ou porque acham que a companheira não vai querer determinada prática ou na quantidade de vezes, ou porque acham que uma aventura com outra mulher – seja amiga, colega do trabalho, match no Tinder, ou profissional do sexo, não muda nada o que sente pela companheira.

A traição pode ser uma fuga

Quando avançamos nas causas da traição nos deparamos num terreno muito mais lamacento do que poderíamos supor.

A terapeuta sexual Esther Perel já se deparou com situações com seus clientes que a fizeram mudar sua perspectiva sobre a traição. Às vezes, é um fator ligado a uma situação limítrofe. A pessoa está numa relação que não sabe como se desvencilhar. E encontra nos braços de outra pessoa uma forma de ter forças para sair dessa relação, ou simplesmente suportar o casamento em que está.

Pode parecer muito cruel essa perspectiva, mas é muito real. É claro que existem os canalhas e as canalhas que traem por diversão ou esporte, mas nem sempre esta é a tônica. Muitas pessoas se sentem afetiva ou sexualmente reprimidos até que surja uma situação em especial que as façam a viver além disso.

Apesar de ser moralmente condenável, esses homens, ou essas mulheres, sentem uma necessidade incontrolável de se sentirem vivos sexualmente ou amorosamente.
Imagine uma mulher que ama o marido, mas que este só pensa no trabalho e que acredita que o prazer feminino deve estar condicionado ao o que ele quer, como e quando quer.

Ou um homem, cuja esposa não quer mais fazer sexo com ele, seja por vê-lo mais como um amigo, ou pai dos seus filhos do que um homem com desejos. Ou mesmo quando a falta de diálogo os impedem de serem totalmente liberados em suas vontades.

O lado amante

A belga Esther Perel é enfática em dizer que um casamento – ou relacionamento duradouro – nunca é feito a dois, sempre a três. Este terceiro é o “fantasma” que muitas vezes é real, que faz com que o casamento possa perdurar.

Há dois modos de ver isso. Na primeira perspectiva é o lado do(a) amante, daquela pessoa que acaba se envolvendo com um dos parceiros do casal. Às vezes esta pessoa nem sabe que está se envolvendo numa relação já consolidada – ou ainda, acredita que esta relação está por um fio.

A pessoa amante pode ser inocente nessa história – acreditem, isso é mais comum do que parece – pode aceitar por acreditar que é uma fase transitória, ou ainda aceita simplesmente ser a pessoa amante, pois é isso a única coisa que ela quer: sexo ou envolvimento emocional, mas sem compromisso de longa duração.

A terceira pessoa pode simplesmente não querer seguir – pelo menos naquela fase de sua vida – uma relação a dois ou ainda entender que aquela situação é perfeitamente factível com seus planos.

A traição sempre é um erro, mas nem sempre imperdoável

Nada do que foi dito até agora é uma prerrogativa para “justificar” uma traição, mas sim para entender os mecanismos que ela acontece e para entender que, em muitos casos, é uma situação passível de perdão. Perdoar aquele que traiu e o traidor se perdoar.

Este é um elemento que explica porque – por mais que o imaginário comum diga que a separação seja o único caminho após uma traição descoberta – uma quantidade considerável de relações continua após a infidelidade de uma ou de todas as pessoas envolvidas na relação.

Mas trataremos disso no próximo post.

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